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La insignia
22 de junho de 2005


Brasil

Fora Lula


Mário Maestri


A denúncia da compra mensal do apoio de deputados para iniciativas parlamentares do governo Lula da Silva não é mero salto de qualidade na tradicional corrupção da gestão pública no Brasil. Ou passo radical na metamorfose conservadora sofrida pelo Partido dos Trabalhadores. Sobretudo, não constitui agravamento da orientação direitista empreendida pelo presidente da República após as eleições de 2002, como vem sendo proposto.

A corrupção crescente da vida política nacional é fenômeno estrutural, que nasce e se apóia nas violentas condições de exploração da sociedade brasileira. Ela apenas se agravou em forma crítica com a hegemonia neoliberal que se estabeleceu sobre o país após a vitória de Collor de Mello. A crescente rendição do núcleo petista hegemônico diante do capital não é também sucesso recente. Em verdade, ela já se consolidara há bem mais de uma década.

Não quiseram ouvir

Sobretudo, o fato denunciado não constitui mais um rodopio, ladeira abaixo, na traição de Lula da Silva e do PT do programa eleitoral de 2002. A bem da verdade, essa traição constitui uma invenção. Nos meses que antecederam à eleição presidencial, Lula da Silva e o núcleo dirigente petista venderam publicamente as almas ao grande capital financeiro, passando recibo, em público, através da chamada Carta ao Povo Brasileiro. Ao encastelar-se no governo, apenas cumpriram o que haviam prometido fazer (1).

Não há pior surdo do que o que não quer ouvir. A reforma neoliberal da Previdência Pública; o apoio irrestrito às exportações; os cortes draconianos dos gastos públicos e sociais; o pagamento incondicional da dívida externa e interna foram maldades anunciadas e prometidas, a alta voz, durante a campanha presidencial, às quais a quase totalidade das forças políticas e sociais de esquerda fez ouvidos de mercador, para conclamar a população a votar no primeiro ou no segundo turno em Lula da Silva. Já nesse então, era pra lá de claro que Lula da Silva e PT haviam abandonado as cores dos trabalhadores pelas mais remunerativas do grande capital.

Ruptura da institucionalidade

A gravidade incontornável dos atuais sucessos está no modo em que o governo Lula da Silva implementou seu programa. Caso se comprovar, a compra sistemática de parlamentares, como meio de constituição da base parlamentar de apoio, constitui ação gravíssima. Nos fatos, ela sustenta, em vício institucional constitutivo, os graves atos empreendidos pelo governo contra os interesses populares, como a aprovação da reforma da Previdência Pública; a política de remuneração extremada do capital financeiro; os cortes nos investimentos públicos e sociais; o violento arrocho salarial do funcionalismo público e dos trabalhadores nacionais; a transferência monumental de riquezas nacionais para o grande capital internacional. Destaque-se que pouco importa se, comprovado, tal processo foi feito sob as ordens diretas do presidente ou foi essencialmente iniciativa empreendida pelo núcleo central do governo. Sobretudo porque o próprio Planalto já reconheceu que tal ato foi denunciado ao presidente, que não empreendeu qualquer ação efetiva para elucidar os sucessos e reprimir os responsáveis, caso se comprovassem. Uma ação compreensível, já que o presidente, o governo petista e os grandes interesses econômicos constituíam os grandes beneficiários da proposta corrupção parlamentar. Todos os democratas brasileiros, com destaque para a população trabalhadora, devem se mobilizar pelo esclarecimento radical das denúncias de compra sistemática de parlamentares, realizada através do alto comando petista e, no caso de sua comprovação, exigir o imediato e inarredável afastamento do atual mandatário da República, com a responsabilização penal de todos os responsáveis por esse golpe inqualificável aos direitos políticos e sociais da população nacional.


(1) MAESTRI, Mário. "Lula vai fazer o que disse". La Insignia, 18 de dezembro de 2002.
(2) MAESTRI, Mário. "O espectro do voto nulo". La Insignia, 12 de agosto de 2002.



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