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La insignia
12 de outubro de 2005


O Mediterrâneo está doente


Stelios Fotinos
Envolverde/IPS, outubro de 2005.



A contaminação que afeta o mar Mediterrâneo preocupa as organizações ambientalistas, para as quais é possível salvá-lo através da economia. Especialistas de agências regionais da Organização das Nações Unidas, autoridades locais, sindicatos, indústrias e organizações da bacia do Mediterrâneo se reunirão em Atenas nesta segunda e terça-feira para juntar esforços na busca de remédios para as doenças do mar. A busca de soluções "deveria se concentrar mais em organizações não-governamentais, sindicatos e partidos políticos", disse à IPS Emad Adly, coordenador da Rede Arábica para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

Esta aliança, com sede na cidade do Cairo, agrupa organizações de 17 países árabes, sete deles com litoral no Mediterrâneo. "São elementos-chave, junto com os setores público e o privado, na implementação de projetos cujo fim é assegurar o desenvolvimento sustentável em nível local, seja no campo da agricultura, indústria, administração da costa ou da desertificação", afirmou Adly, que estará na reunião de Atenas. "As Ongs são ativas em todas as partes e reúnem pessoas de todas as categorias sociais. Elas estão mais conscientes dos problemas e das soluções", acrescentou.

Os problemas não são tão pequenos como o mar Mediterrâneo que, apesar das dimensões que aparenta nos mapas, é apenas uma gota no oceano, com 0,7% de toda a água salgada do planeta. Mas nos países ribeirinhos vivem 435 milhões de habitantes, 150 milhões deles na costa, e anualmente mais de 200 milhões de turistas se dirigem a esses territórios. E suas enfermidades não são leves. Com mais de 46 mil quilômetros de costa e 3.700 quilômetros cúbicos de água, sofre uma forte contaminação, tanto na terra quanto no próprio mar. As cidades, o turismo e a agricultura figuram entre os principais contaminadores.

Centenas de povoados costeiros carecem de saneamento, advertiu o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) através de seu Plano de Ação Mediterrânea, com sede em Atenas e criado em 1975. "Os 150 milhões de pessoas que vivem na costa do Mediterrâneo produzem 2,8 bilhões de metros cúbicos de esgoto a cada ano", calcula a organização ambientalista WWF (ex-World Wildlife Fund). "Cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos são produzidos pelos turistas que visitam a região do Mediterrâneo", acrescentou a WWF em um relatório segundo o qual 80% do esgoto são despejados sem receberem tratamento adequado.

O Programa para a Avaliação e o Controle da Poluição na região do Mediterrâneo (Méd Pol), que opera dentro do Plano de Ação Mediterrânea, sustenta que o lixo sólido que entra no mar chega, em média, a 254 quilos por habitante/ano. Isto inclui lixo doméstico, alimentos, papel, plástico e garrafas. A contaminação gerada pelo despejo de dejetos sólidos e lixo no mar Mediterrâneo, especialmente as embalagens plásticas, é mais importante do que a degradação das praias, do leito do mar e dos ecossistemas associados, afirmam os ambientalistas.

Segundo dados do Med Pol, somente o plástico constitui 75% dos resíduos na superfície e no leito do mar. Pelotas de plástico não-biodegradável e de alcatrão se acumulam nas praias ao longo da costa. As atividades industriais também são uma fonte-chave de contaminação, principalmente as dos setores químico, petroquímico e metalúrgico. Grandes portos comerciais e pesados complexos industriais geram uma significativa contaminação no lugar. Cerca de 60 refinarias de petróleo liberam quase 20 mil toneladas de óleo por ano no Mediterrâneo.

Os dejetos das mais de 200 instalações petroquímicas e de energia, indústrias químicas e de cloração, e mais de 80 rios principais que transportam pesadas cargas de elementos contaminantes levam a bacia do Mediterrâneo a um avançado estado de deterioração. Toda esta contaminação acontece em um mar semifechado. O Mediterrâneo tem apenas duas saídas: o estreito de Gibraltar, de 14 quilômetros de largura, e o Canal de Suez, com apenas alguns poucos metros de largura. Isto significa que as águas do Mediterrâneo necessitariam de 80 a 150 anos para se renovarem através da afluência desde outras regiões, segundo estimativas científicas.

Sob o Plano de Ação Mediterrânea foi formulado outro programa estratégico pelo qual cada país do Mediterrâneo identificará e quantificará suas principais fontes de contaminação, e também conceberá um plano nacional para cortar essa poluição. A WWF realiza uma campanha para o estabelecimento de áreas marinhas e costeiras de proteção da biodiversidade. Também quer medidas específicas contra a contaminação em uma convenção internacional.



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