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La insignia
4 de julho de 2005


Vox populi, vox dei


Luís Carlos Lopes
La Insignia. Brasil, julho de 2005.


Desde a antiguidade clássica, sabe-se que se orador falar de modo forte e convincente, as chances dele convencer seu auditório são grandes. A maior 'prova' da validade da argumentação veiculada como uma "parole forte" está mais na forma discursiva do que do seu próprio conteúdo.

Os auditórios são feitos de homens e mulheres e não de autômatos. As pessoas reagem ao que ouvem, julgando o grau de veracidade e de possibilidade das 'denúncias' serem plausíveis. Fazem este julgamento, a partir do que são e do que vivem, bem mais do que como um resultado do que ouvem.

A oratória provida de força é aquela que diz o que os seus auditórios tenham sido preparados e desejam ouvir. Esta preparação é uma decorrência da experiência acumulada pela audiência. Não há perfeição na recepção da "parole forte". Existe, sempre, algum grau de desconfiança, até mesmo devido ao abuso do uso da veemência.

Quem derrama lágrimas em profusão pode prejudicar o entendimento, levantar suspeitas do uso excessivo da emoção privada em ambiente público. Qualquer pessoa sabe que o ato de chorar, não é necessariamente uma prova de veracidade, pode consistir em uma tentativa de sedução e de se camuflar aquilo que não pode ser revelado.

Acreditando e desconfiando, isto é, operando com as contradições do discurso e suas relações com a prática, o público vai compondo o seu juízo de valor e decidindo em quem deve acreditar. Isto ocorre tanto em um tribunal do júri, como na operação feita pelos públicos que vêem e escutam o noticiário no rádio e na televisão, ou pelos leitores da imprensa escrita.

Se os oradores cortam na própria carne, se auto-incriminando, por exemplo, têm mais chances de serem acreditados. Mas esta é a parole forte dos de baixo espírito, dos que não cultivam o amor pela humanidade e não possuem qualquer senso de dignidade. Isto é, daqueles que são movidos pelo ódio, mesmo que digam a verdade, em momentos históricos chaves.

O que se gostaria de ouvir é a "parole forte" dos com espírito elevado, dos que não têm o que esconder e que constroem suas vidas com os seus trabalhos e posições éticas incontestáveis. Esta não é bem-vinda no espetáculo midiático de nosso tempo. A nossa salvação está na arte. É preciso que ela imite a vida e dela brote a flor de uma parole tão forte, que seja capaz de estabelecer o reino da argumentação e um novo padrão de entendimento mútuo.



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