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La insignia
30 de janeiro de 2005


FSM 2005

A busca de novos caminhos


__Especial__
FSM 2005
Luciano Siqueira (*)
La Insignia. Brasil, janeiro de 2005.


Um oceano de inquietações, protestos e prazer, em que se sobressai um sopro de esperança; uma esperança difusa, contraditória, multifacética e multicolorida. Sinal de que -apesar de todas as desigualdades e injustiças e da opressão dos senhores norte-americanos da guerra- lutar é preciso porque viver é possível.

Essa é a impressão de um noviço em Fórum Social Mundial, ainda sob o impacto da massiva e alegre passeata de abertura, em Porto Alegre, uma miríade de tribos, causas e comportamentos, que reuniu cerca de 200 mil pessoas. A extensa programação de debates e oficinas traduz uma enorme efervescência de idéias contraditórias e desencontradas, porém convergentes na resistência antiimperialista e na defesa da paz e do desenvolvimento com democracia e justiça social.

Convergentes até certo ponto, diga-se, pois nesta quinta versão do Fórum há tese pra tudo e é possível constatar que, ao contrário do adágio popular, nem todos os caminhos dão na bodega; mas alguns até que podem levar a ela. A dispersão temática e ideológica não é pequena, predomina entre os milhares de ativistas de entidades, organizações não-governamentais e movimentos. Mas nota-se o esforço de muitos destes e de partidos políticos e instituições governamentais, que se valem da oportunidade para o intercâmbio de idéias e experiências e o fomento de redes de solidariedade e de apoio mútuo.

O Fórum de Autoridades Locais, por exemplo, sucedido no dia 25, com a presença de mais de uma centena de governantes municipais de várias partes do mundo (de que participamos juntamente com a prefeita de Olinda, Luciana Santos), aprovou um plano de trabalho calcado no entrosamento com os movimentos sociais, através do Fórum Social Mundial, e no incremento da cooperação entre as cidades, tendo como vetor políticas públicas propiciadoras da inclusão social.

Mais: a versão atual do Fórum Social Mundial rompe com a fobia antipartidos políticos, que agora passam a ter espaço relevante; e patrocina as presenças dos presidentes Lula, do Brasil, e Chávez, da Venezuela. Politização até a medula, em contraposição à fragmentação de temas e bandeiras de luta que tanto dificulta a canalização das energias humanas ali reunidas para a luta concreta pelas ansiadas mudanças sociais. Assim, não de deixa de debater uma multiplicidade enorme de temas de variadas grandezas, mas se introduzem questões como a soberania das nações, a necessidade da solidariedade internacional em prol da paz e contra o hegemonismo belicista norte-americano.

Lula, discursando no ginásio Gigantinho, num ato da "Chamada global para a ação contra a pobreza", fez a sua parte ao defender a política externa altiva e propositiva e o desenvolvimento econômico como pré-condição para a solução das demandas sociais e ao sublinhar que a fome, problema social grave, é antes de tudo político.


(*) Vice-prefeito da cidade do Recife (Pernambuco).



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