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| 28 de janeiro de 2005 |
Lula se engaja na campanha contra a pobreza
Agência Informes. Brasil, janeiro de 2005.
Porto Alegre - Em um duro discurso na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva engajou-se na campanha contra a pobreza no mundo, prometeu representar os interesses da América Latina no Encontro Econômico Mundial de Davos (Suiça) e criticou os que torcem pelo fracasso de seu governo. Lula participou do lançamento da campanha "Chamada Global para a Ação contra a Pobreza", no ginásio Gigantinho. O evento integra o programa do Fórum Social Mundial (FSM), realizado na capital gaúcha até o dia 31 deste mês.
Lula chegou ao Gigantinho às 10h20, quase duas horas depois do previsto. Foi recebido com aplausos de manifestantes petistas e representantes da sociedade civil dos países que participam do FSM. Um pequeno grupo de opositores brasileiros vaiou e gritou palavras de ordem contra o presidente. Para Lula, a "Chamada Global para a Ação contra a Pobreza" é prova de que "outro mundo é possível". "O Fórum Social Mundial assume a responsabilidade com o combate a fome como um tema prioritário para este ano. Quem duvida que um mundo melhor é possível, basta olhar para este plenário lotado e perceber a evolução que assistimos nos últimos anos", afirmou. Segundo o presidente, é preciso reconhecer que a América Latina passa por um processo de mobilização e organização interna. "Independente de partido político, de time de futebol ou de crença religiosa, todos nós percebemos a evolução política que aconteceu recentemente no Brasil, na Argentina, no Uruguai, no Paraguai, na Venezuela e no Panamá. Há dois anos, esses eram países que praticamente não conversavam entre si", disse. Lula credita a mobilização entre os povos da América Latina a "uma política externa arrojada e propositiva, capaz de gerar confiança mútua". "Antes, o Brasil só olhava para a Europa e os Estados Unidos. Dava as costas para a América do Sul e para a África. Mas não acredito que haja saída isolada para os países pobres do mundo. Os países pobres precisam se transformar em parceiros para garantir a predominância da maioria dos países, e não a predominância das políticas dos países ricos", afirmou. O presidente lembrou as viagens que fez aos continentes africano, asiático e latino-americano desde que tomou posse. "Em dois anos, fiz mais visitas aos países africanos do que todos os outros presidentes do meu país", lembrou. Ele anunciou viagens a mais três países africanos este ano e outros três em 2006. Lula lembrou ainda a posição de liderança que o Brasil desempenhou no ano passado, durante o processo de construção do chamado G-20 - grupo de países em desenvolvimento criado para, entre outras medidas, conter os subsídios de países ricos à agricultura. "Havia quem duvidasse. Mas mostramos que é possível fazer com que os países ricos abram mão dos subsídios para que os países pobres possam competir em igualdade de condições", afirmou. O presidente brasileiro, que embarca nesta quinta-feira para Davos (Suíça), garantiu defender os interesses dos países em desenvolvimento durante o Fórum Econômico Mundial. "Vou lá dizer o que estou dizendo aqui. É preciso transformar a fome, que é um problema social, em um problema político. Gente que toma café, almoça e janta todo dia acha que campanha contra a pobreza é proselitismo. Mas, para a maioria do povo brasileiro, três pratos de comida por dia é a maior revolução que se pode fazer", afirmou. Diante das manifestações de opositores, Lula foi conciliador. "Em três anos, mudamos a história do sindicalismo brasileiro. Em 20 anos, construímos o partido político mais importante deste país. Esses que não querem ouvir são filhos do PT que se rebelaram. É próprio da juventude. Mas um dia vão amadurecer e à casa retornarão. E nós estaremos de braços abertos para recebê-los", afirmou. Apesar do tom inicialmente conciliador, Lula foi duro ao criticar os que torcem pelo fracasso do governo petista. "O que tem de urucubaca torcendo para que a gente não dê certo... Quem já tem vaga garantida nas melhores universidades federais deste país é contra quando o governo federal concede bolsas integrais e parciais para estudantes pobres no ensino superior. É contra porque não quer que pobre tenha acesso à educação", desabafou. Lula citou ainda o caso do programa Bolsa Família, que beneficiou 6,5 milhões de famílias brasileiras em 2004. "O programa vai melhorar ainda mais em 2005, para a felicidade de quem precisa dele e para a desgraça de quem não quer que nosso povo receba o benefício", afirmou. O presidente brasileiro lembrou que, quando começou a peregrinação a países da Ásia, da África, do Oriente Médio e da América Latina, foi advertido de que poderia estar contrariando interesses dos Estados Unidos e da União Européia. "Não estou brigando (com os países ricos). Mas aprendi que, se somos mais fracos, precisamos nos unir aos iguais e pressionar", disse. Lula criticou a postura do governo norte-americano que, no ano passado, admitiu a possibilidade de interferir no processo democrático na Venezuela. "Quando os Estados Unidos implicaram com Hugo Chávez, nós deixamos claro que a Venezuela não é um problema dos americanos. Mas é um problema da América do Sul. Vamos restabelecer a harmonia entre nossos povos. Nossa energia tem que ser gasta para construir riquezas", afirmou. Ao fim do discurso, o presidente brasileiro definiu-se como "um homem persistente e determinado". Mais uma vez se dirigindo aos opositores, disparou: "Tem gente que acha que as coisas podem ser feitas antes do tempo certo. Mas eu prefiro dar um passo pequeno todo dia e nunca interromper a caminhada, do que dar um passo maior e sofrer com uma distensão", comparou. |
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