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| 28 de janeiro de 2005 |
Ó nóis aqui traveis!
La Insignia. Brasil, janeiro de 2005.
Originalmente organizado e realizado por pessoas do PT e outras
ligadas ao partido, o Fórum Social Mundial cresceu, apareceu e por
pouco não muda até mesmo de cor. Na passeata de abertura do quinta
edição do evento, o amarelo do P-SOL mediu forças com o vermelho
do PSTU, PcdoB, PCO e, claro, do PT. Mas os petistas precisaram
de uma espécie de reafirmação. A maioria dos que vestiam a camisa
com a estrela no peito tinham nas costas a inscrição "100% Lula".
Mas nem só de legendas partidárias vive o Fórum Social Mundial. Nesta quarta-feira 26 de janeiro saíram do mercado público da cidade desde movimentos populares argentinos a associações salesianas, passando por ativistas palestinos, organizações feministas e de deficientes que afirmavam que "um outro acesso é possível", numa diversidade da qual nenhuma matéria jornística é capaz de dar conta. Em meio às centenas de faixas e cartazes, a bandeira das bandeiras, uma gigantesca colcha de retalhos simbólica, onde estão representados desde países a entidades sindicais. A multidão se fechou quando a marcha alcançou seu destino, o Teatro Pôr-do-Sol, às margens do Rio Guaíba, no exato instante em que o crepúsculo confirmava a fama que dá nome ao palco onde se apresentaria o ministro Gilberto Gil. Antes das atrações subirem ao palco, um globo inflável gigante saiu do fundo da platéia e atravessou a passarela em frente ao teatro. Seria o próprio outro mundo possível comparecendo? Enquanto cerca de 120 mil pessoas aguardavam as atrações musicais da noite de abertura do Fórum, o som nos alto-falantes deixava bem claro: "Comandante/Che Guevara/Comandante/Che Guevara...". Bandeiras de toda América Latina se assanharam no meio da multidão. E como no outro mundo possível pontualidade é coisa de burguês germânico, o show demorou para começar. Pessoas de vários povos e nacionalidades subiram ao palco e deram aos mãos. Dois índios pataxós pareciam um tanto constrangidos. O show e o Fórum estavam para começar. Além do ministro Gil, Mano Chao seria a outra grande vedete sob a lua cheia de Porto Alegre. Mas antes, um minuto de silêncio pelas vítimas dos maremotos na Ásia. Então o Fórum foi declarado aberto e o público foi saudado em vários idiomas. Uma menininha de aproximadamente 5 anos arrancou aplausos ao falar em espanhol. Só se enrolou com palavras como "tsunamis" e "neoliberalismo". |
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