Mapa del sitio Portada Redacción Colabora Enlaces Buscador Correo
La insignia
23 de agosto de 2005


Espanha e América Latina estreitam relações


Tito Drago
IPS/Envolverde, agosto de 2005.


Os preparativos da Cúpula Ibero-americana, convocada para os dias 15 e 16 de outubro em Salamanca, mostram os resultados da aproximação constante entre América Latina e Espanha desde que o socialista José Luis Rodrigues Zapatero assumiu o cargo de primeiro-ministro espanhol, em maio de 2004. Esta reunião anual de chefes de Estado e de governo ibero-americanos, cuja primeira edição foi em 1991, havia começado a declinar com o passar dos anos porque lhe faltava "conteúdo político suficientemente relevante", disse à IPS o secretário-geral espanhol de Estado de Relações Internacionais e para a Ibero-américa, Bernardino Leon, em referência à mudança de visão da Cúpula.

Uma prova dessa queda é que nos últimos seis anos faltaram mandatários às reuniões realizadas sucessivamente em Havana, Panamá, Lima e na praia dominicana de Bávaro, na cidade boliviana de Santa Cruz e em San José da Costa Rica. Durante o governo do primeiro-ministro José Maria Aznar (1996-2004) houve um distanciamento da Espanha com a América Latina nas relações bilaterais e nas multilaterais, incluindo estas cúpulas ibero-americanas. Aznar considerou em grande parte as Cúpulas como uma iniciativa espanhola e nesse sentido apoiou somente sua realização, mas sem pretender impor seus próprios princípios e projetos.

Sobre a mudança da linha espanhola cabem mencionar as viagens de Zapatero à América Latina e a formação do chamado Quarteto da Guiana, depois de sua reunião, em março nessa cidade venezuelana, com o presidente anfitrião, Hugo Chávez, e seus colegas Luiz Inácio Lula da Silva e Álvaro Uribe da Colômbia. Também deve-se acrescentar a viagem latino-americana da vice-primeira-ministra, Maria Teresa Fernández de la Vega, durante a qual se encontrou com presidentes, ministros e personalidades do Brasil, Chile, Costa Rica, Argentina e Uruguai. Esta viagem, feita no início deste mês, é particularmente importante por ser a primeira vez que uma figura política de alto nível do país organizador se envolve na organização da Cúpula e, sobretudo, que leva em conta os demais países.

Vega se encarregou de informar aos governos visitados sobre os preparativos do encontro, e por sua vez, recebeu dados a respeito dos temas que serão debatidos e cuja participação protagonista conseguiu comprometer. Além disso, como era impossível visitar todos os países latino-americanos, tanto por sua agenda quanto pelas dos presidentes dos mesmos, outros funcionários espanhóis de alto nível o fizeram. Tudo isso sem esquecer que a Secretaria de Cooperação Ibero-americana (Secib) em sua mudança paulatina para Secretaria Geral ibero-americana (Segib), recebeu reforços que lhe permitem se concentrar no apoio à organização da cúpula a se realizada na cidade espanhola de Salamanca.

Ao fim de sua viagem, Vega se mostrou convencida de que a reunião irá supor "um ponto de inflexão" no sistema de cúpulas como impulsora da Comunidade Ibero-americana de Nações. Um ponto importante de sua viagem foi a Argentina, sabendo do desinteresse que o presidente desse país, Néstor Kirchner, mostrou pelas Cúpulas anteriores. A recepção em Buenos Aires foi muito boa e assim testemunhou o vice-presidente argentino e presidente do Senado, Daniel Scioli, o qual afirmou que, com o governo de Zapatero, a "Espanha voltou à América Latina". Antes de chegar à Argentina, Vega recebeu no Chile um compromisso expresso de trabalhar conjuntamente para garantir o êxito do encontro em Salamanca, expresso pelo presidente Ricardo Lagos.

É de destacar que Lagos lhe garantiu que seu país estará de maneira permanente "na estrutura consolidada das cúpulas". Compromisso que também recebeu do presidente Lula, do uruguaio Tabaré Vázquez, e do costarriquenho Abel Pacheco. Um dos temas destacados que serão analisados em Salamanca é a posição ibero-americana no mundo, o que implicará não apenas em alcançar consensos políticos, mas também instruir, conferir poder e fornecer meios à Segib para que as aplique. Esta secretaria-geral será assumida pelo uruguaio-espanhol Enrique Iglesias, que um dia antes deixará a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cargo ao qual renunciou após ocupá-lo por mais de 17 anos para poder assumir a nova responsabilidade.

Precisamente a escolha de Iglesias por consenso é outra mostra do impulso que se deseja dar ás cúpulas e à sua institucionalização, já que ele deixou voluntariamente a presidência do BID mais de oito anos antes do fim de seu mandato, e o fez para dirigir um organismo que nem de longe conta com a força e a presença internacional do organismo multilateral americano. Essa é uma demonstração não apenas porque os mandatários elegeram uma personalidade de grande peso internacional, mas também porque Iglesias aceitou dirigir um organismo fraco, com o seu compromisso e dos que o designaram de convertê-lo na expressão internacional da Comunidade Ibero-americana de Nações e em um mecanismo para fortalecê-la.

Segundo as reuniões preparatórias que vem sendo realizadas, se dará à Segib um papel destacado para mediar e propor soluções no caso de uma crise política em qualquer ponto da Comunidade ibero-americana. O grupo é integrado pelos três países da península Ibérica, Andorra, Espanha e Portugal, mais Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Leon antecipou à IPS que se procurará desenvolver a cooperação judicial entre os países ibero-americanos e impulsionar a agenda de desenvolvimento com compromissos específicos, bem como aprovar uma carta cultural ibero-americana. Porque, destacou, "não se deve esquecer que a cultura se tornou na produtora de 15% do produto interno bruto de nossos países".

Leon acrescentou que "a cultura não é marginal, mas um elemento de um valor econômico e político enorme. Por isso temos de saber fazer política ao redor da idéia da cultura, uma cultura comum que cada vez pesa mais no mundo". Outro tema que será analisado em Salamanca é a posição que manterão na próxima Cúpula América Latina e Caribe-União Européia, na qual se considera importante haver um consenso prévio o mais amplo possível, especialmente dos governos latino-americanos com os da península Ibérica.



Portada | Iberoamérica | Internacional | Derechos Humanos | Cultura | Ecología | Economía | Sociedad Ciencia y tecnología | Diálogos | Especiales | Álbum | Cartas | Directorio | Redacción | Proyecto