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La insignia
2 de dezembro de 2004


EEUU en guerra

Ninguém trata de Faluja


__EEUU en guerra__
2001-2002 2003 2004
Dahr Jamail
IPS/Envolverde, dezembro de 2004.



Bagdá.- Milhares de pessoas que fugiram da cidade de Faluja, no centro do Iraque, depois da incursão militar dos Estados Unidos, permanecem em acampamentos próximos de Bagdá, desamparados pelo governo interino e sem assistência básica de saúde. Muitos médicos estão indignados porque quase não houve atenção por parte do Ministério da Saúde para com os residentes dessa cidade, na qual as forças da coalizão lançaram há três semanas uma ofensiva contra supostos integrantes da resistência. O governo interino iraquiano, encabeçado pelo primeiro-ministro Iyad Allawi, informou que, pelo menos, 2.085 pessoas morreram e cerca de 1.600 foram detidas durante a operação. Porém, não especificou quantos civis há entre os mortos e apontou muitas dificuldades para identificar os cadáveres.

Washington considera Faluja o centro do "terrorismo" no Iraque e garante que ali estavam entrincheirados membros da resistência, entre eles vários "combatentes islâmicos" estrangeiros. "Durante os combates na (central cidade de) Nayaf as coisas foram diferentes. Havia ambulâncias para ajudar, mas em Faluja não se fez nada. Por que?", perguntou o cirurgião Riad Hussein, de Bagdá. Outros médicos asseguram que o governo interino do Iraque deliberadamente tomou a decisão de não dar assistência à cidade sitiada pelos Estados Unidos. "O Ministério da Saúde nos ordenou expressamente que não déssemos ajuda por conta própria aos moradores de Faluja. Mas tampouco fez algo para socorrê-los durante o cerco, além de trabalhar muito pouco nos acampamentos para refugiados ao redor de Bagdá", disse Aisha Mohammed, de um hospital da capital iraquiana.

Mohammed informou que muitos médicos de Bagdá lançaram uma campanha por iniciativa própria para conseguir medicamentos do ministério e entregá-los aos refugiados. "Apenas quando exercemos nossa pressão nos permitiram ter algumas provisões. Entretanto, não são suficientes para todos os acampamentos. Estamos em uma crise", disse à IPS. Por sua vez, o porta-voz da Meia Lua Vermelha do Iraque, Abdel Hamid Salim, indicou à IPS que o ministério permitiu a assistência aos habitantes de Faluja, mas não "forneceu os materiais necessários". Por outro lado, o diretor do Departamento de Relações Públicas do ministério, Musir Khasem Ali, insiste em que há mais de 400 mil moradores de Faluja refugiados em acampamentos localizados em diferentes partes do país e que é impossível dar assistência a todos. A maior ajuda recebida por essas pessoas é dada por civis solidários.

O ministério assegura que faz tudo o que pode. "Demos tudo o que necessitavam. Enviamos 20 ambulâncias para o hospital geral de Faluja", afirmou o responsável do governo para ajuda aos refugiados, Shehab Ahmed Jassim. Porém, nenhuma dessas ambulâncias entrou na cidade. O hospital geral foi ocupado pelas forças dos Estados Unidos e os moradores não saíam de suas casas por medo das bombas. Enquanto isso, os refugiados continuam sofrendo. "Estamos sabendo que nos acampamentos há graves problemas de diarréia, febre, gripe, bem como falta de eletricidade e água potável", reconheceu Jassim. "O pouco que temos nos é dado por famílias pobres, e quase nada recebemos do Ministério da Saúde", disse Um Aziz, uma mulher que fugiu de Faluja e se refugiou com seus cinco filhos em um acampamento na Universidade de Bagdá.

Outro refugiado, Mohammed Abdel Shukir , de 43 anos, apontando para as barracas de campanha, perguntou: "Para onde iremos quando os norte-americanos destruírem por completo nossas cidades?". Abu Ahmed, também refugiado, assegurou que em mais de uma ocasião soldados norte-americanos e membros da guarda nacional iraquiana entraram no acampamento em busca de membros da resistência. "Disse-lhes que não tínhamos combatentes feridos, mas mesmo assim, inspecionaram barraca por barraca. Naturalmente, não encontraram ninguém, e aterrorizaram mulheres e crianças. Não basta o que fizeram à nossa cidade?", lamentou.



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