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| 26 de dezembro de 2003 |
La Insignia. Brasil, dezembro de 2003.
Saddam barbudo e maltrapilho é um precioso tesouro que torna a reeleição de Bush uma tragédia mais provável. O valioso tesouro foi encontrado no subterrâneo. Mais precisamente, num desconfortável buraco, rodeado por suntuosos palacetes que já abrigaram o achado - quando este ainda não tinha nenhum valor de tesouro - era apenas um tirano sanguinário.
Tirano sanguinário é um título que Saddam jamais irá perder. Mas agora ele emerge do buraco como uma jóia preciosa. É bem verdade que não é a primeira vez que Saddam surge como uma jóia para os interesses da família Bush: ele já foi valioso numa guerra injusta de oito anos contra o rebelde Irã - financiada e apoiada por Bush pai. O Império, na figura de seu imperador, festeja. E tais festejos são bem coerentes. A captura de Saddam vem tentar trazer razão a uma guerra irracional, vem esconder a necessidade de se encontrar as famosas armas de destruição em massa - que ao contrário de Saddam, devem ter fugido do Iraque. A próxima novela é o julgamento do tirano, que deve obviamente respeitar o tempo eleitoral de Bush. Afinal, este precioso tesouro lhe pertence, e precisa estar refletido nas urnas. Infelizmente, as coisas são assim: um sanguinário vai se reeleger por ser capaz de capturar outro sanguinário. O sangue continua presente, manchando os sonhos e a realidade do homem e representando a injustiça dominante. |
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