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La insignia
7 de agosto del 2003


A hora da ONU


__Especial__
EEUU en guerra
Luiz Sérgio Henriques (*)
La Insignia. Brasil, agosto del 2003.



Parece ter terminado o triunfalismo americano com relação à recente operação militar no Iraque. Como sabemos, não houve propriamente uma guerra, tamanha a disparidade de forças envolvidas. Não havia armas de destruição em massa, que Saddam Hussein pudesse mobilizar em pouco mais de meia hora e ameaçar o resto do mundo. E não havia ligações perigosas com redes terroristas particularmente ativas.

Tratava-se, ao contrário, de um regime já fragilizado e em pleno ocaso. Uma década de sanções econômicas e incursões por parte da aviação americana e inglesa havia não só reduzido substancialmente o poder do ditador iraquiano, mas até feito bem mais: na verdade, foi a população miserável daquele país, em especial mulheres, velhos e crianças, quem pagou duramente o preço do isolamento e das sanções impostas depois da guerra do Golfo. Aliás, desgraçadamente, não pode ser outro o resultado da opção pela violência como método de resolução de conflitos.

Neste cenário desolador, a agressividade de W. Bush podia apenas, previsivelmente, ganhar a "guerra" - as aspas, neste caso, são rigorosamente necessárias -, mas perder a paz, descredenciando-se como fator de estabilização e reconstrução. E, aos poucos, muitos analistas, inclusive americanos, passaram a ver o óbvio: hoje, no Iraque, as tropas estrangeiras não são "libertadoras", mas sim tropas de ocupação, no sentido clássico. E, como tal, são alvos na mira não só de possíveis remanescentes da ditadura de Saddam, mas, sobretudo, da resistência potencialmente generalizada do povo iraquiano.

A imagem de um "atoleiro" e a referência ao Vietnã acompanham o relato diário sobre os militares americanos mortos e as muitas vítimas civis. É uma imagem e uma referência apropriada, que apontam a difícil circunstância em que se encontra o governo Bush. Adepto de soluções unilaterais, à margem da legalidade internacional, o governo americano pode se ver literalmente forçado a apelar para as Nações Unidas, uma instituição que desprezaram e trataram como empecilho na fase de preparação da sua "guerra".

E a presença da ONU é sempre um bom princípio de solução: com todas as suas insuficiências, as Nações Unidas detêm a legitimidade para conduzir a busca de uma saída para a crise iraquiana, que obviamente consiste na restauração da soberania e na instalação de um regime democrático, que expresse o mosaico étnico e religioso do país. Esse protagonismo da ONU seria, por si só, uma dura derrota para o belicismo e a arrogância da direita americana no poder.

As dificuldades de Bush podem também passar a se refletir no plano interno. Uma parte significativa da força dessa direita derivou do ataque insensato de 11 de setembro de 2001. A partir de então, o clima "patriótico" fez calar as dúvidas sobre o funcionamento daquelas estranhas urnas de Miami, que foram um espetáculo indigno da democracia americana. Hoje, as vozes da oposição começam a ser novamente ouvidas e não parece traição nacional questionar motivos e métodos de um governo que, pelo seu tosco maniqueísmo, é uma ameaça às liberdades - até dos próprios americanos.


(*) Editor de Gramsci e o Brasil



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