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| 5 de outubro de 2001 |
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Ataque aos EUA Viva a América! Fuck you, Porto Alegre! Mário Maestri
Em 30 de setembro, no Bar Opinião, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, surpreso, o guitarrista Yngwie Malmsteen foi vaiado por mil e quinhentos jovens ao encerrar solo com parte do hino nacional norte-americano. Anteriormente, Doogie White, vocalista do grupo, fizera referência ao atentado do WTC, sem manifestações do público.
Ao insistir em repetir partes de "Star Spangled Banner", Malmsteen foi apupado por uma platéia formada sobretudo de jovens que gritou em resposta "Brasil! Brasil!" Ao voltar ao palco para o bis, o guitarrista sueco radicado há vinte anos nos USA emendou à música "Black Star" o hino norte-americano na íntegra, em desafio ao público que juntou aos apupos gritos pró-Bin Laden. Concluindo a apresentação, Molmsteen despediu-se com um "God bless America and fuck you all!" Pegando carona nos fatos, o tecladista Derek Sherinian, único norte-americano na banda, publicou furiosa carta no seu site onde afirma que "ver manifestações anti-americanas na CNN é ruim, mas estar no meio de uma delas é ainda mais assustador [...]". Certamente já perplexo ao saber que a população porto-alegrense não tinha o inglês como língua nacional, finalizou sua missiva dizendo não se importar se nunca mais voltar a "Porto Allegre" [sic], "cidade terceiro-mundista infestada de caipiras"! A banda globalizada - um sueco, um norte-americano, um escocês, um argentino, um suíço; todos vivendo nos USA - errou feio em não separar a simpatia às vítimas do atentado do WTC do apoio ao Estado norte-americano. Não compreendeu que, ao encobrir aqueles sucessos com a bandeira e a retórica imperial USA, justificava o ataque como resposta às agressões vividas pelo "terceiro mundo" que espinafraram. Os sucessos do dia 11 não se devem a fenômenos patológicos individuais ou religiosos. São conseqüência direta de militância incessante do Estado USA contra os direitos da população mundial, expressos paradigmaticamente em ações genocidas como as da Coréia, Guatemala, Indonésia, Irak, Iran, Iugoslávia, Nicaragua, Salvador, Vietnã, Palestina, etc. Ao apoiar o irracionalismo e o integrismo para melhor vergar as propostas de soluções racionais e humanistas das contradições da ordem social e mundial, o Estado imperial norte-americano reservou àquelas forças a possibilidade de expressarem em forma indevida e obscurantista contradições geradas por um mundo que se barbariza sob ordem capitalista em senilidade crescente. Nessa terça-feira, os jovens porto-alegrenses do Bar Opinião não aplaudiram o massacre de populações civis e visões integralistas e irracionalistas de mundo. Em forma confusa, mas clara, expressaram a compreensão que o Estado USA não está entre as vítimas, mas entre os algozes das vidas ceifadas em Nova Iorque. (*) Mário Maestri é historiador. E-mail: maestri@via-rs.net |
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